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| O Sonho da Razão Produz Monstros - Goya |
Em Inhotim em nossa viagem com a classe, meu grupo decidiu escolher o pavilhão de Janet Cardiff & George Bures Miller. Visitamos então a sua obra The Murder of Crows de 2008. Ao pesquisarmos um pouco sobre essa obra antes de irmos vê-la, descobrimos que ela foi inspirada na gravura de Goya, O Sonho da Razão Produz Monstros. Após intensa pesquisas, sabíamos quem eram os artistas, quais os propósitos da obra, como ela era arranjada e tudo mais. Mas o que não sabíamos era o que iria nos chocar nesta obra. Chegamos a ver vídeos inclusive, mas nada supera a experiência proposta por estes artistas.
Chegando em Inhotim fomos a nossa obra. Um galpão grande coberto com espuma (para melhorar a acústica do ambiente) com um arranjo de cadeiras em círculos (algumas para sentar-se e ter a experiência e outras apenas com caixas de sons) e uma mesa central com um gramofone.
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| Obra exposta em Inhotim |
Deste gramofone sai a voz da doce Janet Cardiff. Através destas 98 caixas de sons espalhadas por todo o ambiente é possível se teletransportar para o lugar. Fechamos os olhos e através das lembranças de um sonho mais que maluco de Janet com industrias com maquinas alimentadas por bebês e gatos, com perseguição e pessoas que perdem a perna, somos tocados e acariciados apenas com o som. A obra transforma o que era apenas audível em uma experiência corpórea extremamente intensa. Os momentos de medo nos fazem sentir medo, quando os ventos sopram sentimos o frio. Tudo foi muito bem planejado e arranjado através de um sistema de caixas de sons.
Em quase meia hora de sons de vento, passos, máquinas, corvos e corais, a voz nos guia durante todo o sonho que é finalizado com uma música doce e calma. A experiência é inigualável.
Como já havia dito no começo, pesquisamos antes de ver a obra e achamos videos o qual irei postar agora, mas já aviso de antemão: nada supera a experiência de estar no meio desta obra fantástica.
Durante a estadia na obra, também fizemos uma série de croquis seguidos por uma intensa conversa sobre como a arquitetura dialoga com a obra. Chegamos a conclusão que o próprio galpão aberto se conecta em alguns momentos à obra: em momentos que estamos em uma fábrica o galpão se liga a este e em momentos em que estamos na praia deserta com ventos o grande espaço aberto e branco também se assemelha. A arquitetura do galpão é simples de quesitos arquitetônicos, ela prioriza a experiência da audição e não da visão, por isso, qualquer decoração própria para o local que se conectasse à obra é substituída por paredes brancas revestidas de espuma para ajudar na acústica do ambiente, algo que favorece muito a obra.
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| Visão geral da obra (lápis 4B) |
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| Gramofono central (lápis 8B e 4B) |
Visitamos também outra obra dos artistas em que foi decomposta uma ópera. Em várias caixas de sons é possível ouvir unitariamente cada voz, cada conversa na platéia, cada espirro e tosse, tudo. Ao andarmos por estas caixas, vemos que em cada ponto que estamos da obra temos uma experiência completamente diferente. A música se torna diferente pois nosso foco está em determinada caixa. Caso estejamos no centro da obra (já que ela é disposta em círculo assim como The Murder Of Crows) podemos ouvir uma ópera completa, um som que nos transporta e, uma vez estando de olhos fechados, nos conduzem a algo inigualável.





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